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29 de agosto de 2020

Peritonite Infecciosa Felina – PIF no British Shorthair

Peritonite Infecciosa Felina

A peritonite infecciosa felina (PIF) causada por um coronavírus, é relativamente instável no ambiente. Entretanto, o vírus pode permanecer infeccioso por até sete semanas, no interior de matéria orgânica seca ou em superfícies secas. E não diferente dos outros gatos, o British Shorthair pode ser infectado por esse vírus.

A PIF é uma doença viral sistêmica caracterizada por início insidioso, febre não – responsiva persistente. Além de uma reação tecidual piogranulomatosa, acúmulo de derrames exsudativos nas cavidades corporais e alta mortalidade. 

Freqüentemente, a peritonite infecciosa felina pode se manifestar nas formas efusiva e não-efusiva. A lesão básica das duas formas é uma inflamação piogranulomatosa acompanhada por vasculites e graus variáveis de necrose.

  • A forma efusiva (forma úmida) caracterizada por serosite, acúmulo de líquido na cavidade abdominal e torácica e vários graus de inflamação nos tecidos viscerais. 
  • As lesões de forma não-efusiva (seca) incluem, leptomeningite, corioependimite, encefalomielite focal e oftalmite. Ocorrerá o envolvimento de outros tecidos como: rins, fígados, linfonodos viscerais, intestinos, pulmões , olhos e cérebros. 

Alguns fatores predisponentes a doença são: 

  • Faixa etária: animais de 6 meses a 2 anos de idade e gatos idosos;
  • Predisposição racial: persa, abssínio, bengal, birmanês, himalaio;
  • Superpopulação em gatis e abrigos;
  • Desnutrição;
  • Doenças infecciosas crônicas e concomitantes como Leucemia Viral Felina (FeLV) e Imunossupressão Viral Felina (FIV);
  • Uso de fármacos imunossupressores.

Transmissão 

Sabendo que a maior fonte de transmissão são as fezes de gatos infectados, o compartilhamento de caixas de areia trona-se o principal meio de contaminação. Os gatos sadios ao usar a caixa de areia levam consigo o vírus. Portanto, o ato de lamber-se faz com que o gato ingira o vírus e se contamine. 

O FCoV é libertado ocasionalmente na saliva, em uma primeira fase da infecção. Por isso, partilhar tigelas de comida ou inalar gotículas espirradas, pode possivelmente permitir a ocorrência de infecção.

Patogenia 

Antes de mais nada, precisamos saber que a principal porta de entrada do vírus é a oral. Lá, o vírus replica-se localmente nas células epiteliais do trato respiratório superior ou da orofaringe. 

Anticorpos antivirais vão ser produzidos e os macrófagos captarão o vírus, que será transportado por todo o corpo. Onde estarão localizados em várias paredes venosas e áreas perivasculares.

A replicação viral perivascular local, juntamente com uma reação tecidual piogranulomatosa subsequente produzem a lesão clássica. O período natural de incubação da PIF é extremamente variável podendo durar dias ou semanas. 

Sinais Clínicos

Inicialmente, os gatos apresentam sinais clínicos inespecíficos e não localizados. Os sintomas são: febre, anorexia, inatividade, perda de peso, diarreia e desidratação. Também citam- se falta de apetite, perda de peso, pelagem com pouco brilho. 

Muitos gatos com PIF seca tornam-se ictéricos. Em muitos casos, aparecem marcas nos olhos, geralmente na íris. Onde ela muda de cor e algumas partes podem ficar castanhas. 

Porém, a efusão líquida é amarela, viscosa, e transparente, embora possa conter fibrina. Nesta efusão estará presente um exsudato granular branco-acinzentado sobre todas as superfícies serosas.

Diagnóstico

Precisamos entender que o diagnóstico na PIF pode ser difícil, por causa da variabilidade das manifestações clínicas e do tempo de incubação. Em muitos casos o diagnóstico pode ser feito através da avaliação do histórico. Os achados clínicos, resultados laboratoriais, título de anticorpos para coronavírus e exclusão de doenças semelhantes ajudaram no diagnóstico.

Alguns achados laboratoriais podem sugerir PIF. Esses achados são a linfopenia, anemia não-regenerativa, aumento das proteínas totais no soro. Além de hiperglobulinemia, ratio albumina/globulina baixo, níveis elevados de α-1 glicoproteína ácida e concentrações elevadas de anticorpos contra o FCoV. 

Outro achado são células positivas para antígeno FCoV, por imunofluorescência, confirmarão a PIF. 

Além disso, a técnica de RT-PCR para FCoV de amostras de sangue não é recomendada para diagnóstico. Porque não é possível distinguir entre os mutantes indutores de PIF e o FCoV “normal”. 

Tratamento

A PIF não é controlada facilmente. Ela requer a eliminação do vírus do ambiente, através de alto padrão de higiene, quarentena, medidas imunoprofiláticas. O manejo dos gatinhos filhos de mães soropositivas para coronavírus felino (FCoV). Eles devem ser desmamados precocemente para interromper a transmissão viral. 

A PIF apresenta um mau prognóstico. Como resultado, o tempo de sobrevivência mediano após o diagnóstico é de 9 dias. Deve considerar-se a possibilidade de eutanásia apenas após um diagnóstico definitivo.

Ainda assim, o tratamento de suporte destina-se a eliminar o processo inflamatório e a resposta imunitária prejudiciais, geralmente com corticosteróides. No entanto, os benefícios dos corticosteróides não foram comprovados. 

Definitivamente, nos lares onde um doente com FIP tenha sucumbido, recomenda-se que se esperem 2 meses até se adquirir outro gato. O mais provável é que os outros gatos no mesmo lar também sejam portadores de FCoV. 

Com isso, podemos concluir que a peritonite infecciosa felina é uma enfermidade de grande importância, pois é altamente contagiosa entre os felinos. Mesmo que exista tratamento de suporte é uma doença incurável que leva o animal ao óbito. 

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29 de agosto de 2020

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